Câmara de Toledo terá menos mulheres e mais partidos em 2021

por Paulo Torres publicado 20/11/2020 14h45, última modificação 24/11/2020 15h01
As eleições municipais de 15 de novembro definiram os toledanos que comporão o Poder Executivo e o Poder Legislativo a partir de 331 candidatos e candidatas inscritos por 18 partidos. Foram 14 candidatos a prefeito, prefeita, vice-prefeito e vice-prefeita através de sete chapas e 317 a vereadores e vereadoras, num recorde histórico de candidatos. Em Toledo a eleição da nova legislatura da Câmara chama a atenção pela eleição de doze novos vereadores, além da reeleição de sete dos atuais integrantes. Três disputaram cargo no Poder Executivo (Albino Corazza, Ademar Dorfschmidt e Marcos Zanetti), e um – Vagner Delabio -, decidiu não se candidatar. Além disto o candidato mais votado a vereador, Marli do Esporte (PSB), com 1.621 votos, não se elegeu, embora tenha superado até os votos recebidos por duas chapas da disputa ao Poder Executivo, devido ao quociente eleitoral.

 

As eleições municipais de 15IMG_2125a.JPG de novembro definiram os toledanos que comporão o Poder Executivo e o Poder Legislativo a partir de 331 candidatos e candidatas inscritos por 18 partidos. Foram 14 candidatos a prefeito, prefeita, vice-prefeito e vice-prefeita através de sete chapas (veja box) e 317 a vereadores e vereadoras, numa disputa marcada pelo recorde histórico de candidatos e pelas novas regras da reforma política, que proibiram coligações na eleição a vereador e criaram barreira a candidatos com baixo desempenho visando conter a multiplicação de siglas partidárias. Em Toledo a eleição da nova legislatura da Câmara Municipal chama a atenção pela eleição de doze novos vereadores, além da reeleição de sete dos atuais integrantes, já que três disputaram cargo no Poder Executivo (Albino Corazza, Ademar Dorfschmidt e Marcos Zanetti), e um – Vagner Delabio -, decidiu não se candidatar. Além disto o candidato mais votado a vereador, Marli do Esporte (PSB), com 1.621 votos, ou 2,3% do total, não se elegeu , porque seu partido não atingiu o quociente eleitoral, embora tenha superado inclusive os votos recebidos por duas chapas na disputa ao Poder Executivo.

Os resultados mostraram que a temida abstenção devido à pandemia não ocorreu e a ausência não cresceu muito, embora tenha resultado em mais de 22 mil votos não depositados nas urnas. Dos 98.692 toledanos aptos a votar, 77,67%, ou 76.657 eleitores, foram às urnas no domingo, com 22.035 abstendo-se. Além disso ficaram de fora da decisão que preenche as cadeiras da Câmara de Toledo para a XVI Legislatura ainda 3.330 votos nulos (4,34%) e 2.724 votos em branco (3,56%), levando a 70.603 votos válidos. A divisão deste total pelas 19 cadeiras existentes na Câmara de Toledo gerou o quociente eleitoral de 3.695, número de votos necessário para que um partido tenha direito a uma vaga de forma direta pelo sistema proporcional. Antes porém o partido ainda deve atender a exigência da reforma política de que o candidato a vereador alcance pelo menos 10% do quociente eleitoral, ou seja, 369,5 votos. Após esta primeira divisão e atendido o critério de votação mínima do candidato, os partidos ainda podem alcançar as vagas restantes, a chamada “quebra”, pelo quociente partidário e pela média.

 

Maiores bancadas

Pelos critérios da reforma a maior bancada ficou com o PP, que atingiu 14.507 votos, sendo 13.715 votos em seus candidatos e 792 na legenda, elegendo cinco vereadores, sendo três eleitos diretamente e outros dois por média. Em seguida veio o PL, com 8.095 votos, sendo 7.956 de seus candidatos e 139 da legenda, preenchendo duas cadeiras; enquanto a terceira sigla mais votada foi o MDB, com 5.961 votos, dos quais 5.031 nos seus candidatos e 930 na legenda, conquistando duas cadeiras. Em quarto lugar aparece o Cidadania, com 5.174 votos, dos quais 5.069 em seus candidatos e 105 na legenda, alcançando assim outras duas vagas.

 

 

Mudanças vão ficar e partidos precisam estar atentos, diz analista

 

As regras do quociente partidário e do número mínimo de 10% do quociente partidário para um candidato ter direito a vaga no Poder Legislativo vão mudar a relação dos candidatos com os partidos daqui para a frente, segundo avalia o chefe de cartório da 75a Zona Eleitoral, Frederico Amorim Oliveira de Lima. O analista judiciário lembra que com a reforma eleitoral cada vez mais ninguém se elege sozinho, sendo eleitos pelo partido os mais bem votados, na ordem de votação. “O computador faz o cálculo, nem olha para os candidatos”, comenta ele, acrescentando que isso

exigirá uma adaptação dos partidos, que terão que se estruturar e não ser partidos apenas no período da eleição. Da mesma forma os candidatos terão que buscar visibilidade na sociedade através de trabalho anterior e presenças nas redes sociais e não apenas nas eleições, devido ao número mínimo de votos de 10% do quociente partidário para um candidato atingir a vaga.

“Cada vez mais os partidos vão ter que se preocupar, discutindo o futuro da sociedade mais constantemente e não só reunir um bando de pessoas para a eleição”, avalia ele, para quem os partidos que trabalharem sua ideologia e buscarem uma estruturação mais profissional vão ser beneficiados.

Ele comenta ainda sobre a campanha mais curta, com votação em 15 de novembro ao invés de 3 de outubro, devido à pandemia, mas acredita que isto não afetou resultados, reforçando que as mudanças vieram para ficar. Na sua avaliação isto deve levar à fusão de pequenos partidos e o fim da busca de celebridades para arrumar bastante voto e assim levar junto candidatos menos votados, como ocorria até recentemente.

 

 

 

Número de partidos na Câmara sobe de dez para onze em 2021

 

A Câmara de Toledo será composta a partir de 2021 por onze partidos (PP, PL, MDB, Cidadania, PV, DEM, Patriota, PSC, PSD, PT e Republicano), enquanto atualmente tem dez siglas (PP, PSD, PV, DEM, PL, MDB, Cidadania, Patriota, PDT e PSB). A maior bancada ficou com o PP, que alcançou 5 vagas, enquanto outros partidos tradicionais em Toledo, como o PT, que teve 2.958 votos, com a 11ª votação e uma vaga, retorna ao Poder Legislativo, enquanto o PDT ficou fora, em 14°, com 1.667 votos, atrás do Republicanos, com 3.360, bem como de siglas já conhecidas e igualmente sem vaga, como o PSB com 2.557 votos e outras nem tanto, como PTC, com 2.014 votos. Avante, PSL e Rede vêm em seguida no ranking de votos e por último o PSOL, os quatro sem representantes.

Pelo critério de quociente partidário o PP alcançou o maior número de candidatos acima da votação mínima exigida de 10% do quociente partidário, com 13 nomes, vindo depois o PL com 7 e então Republicanos, DEM, Patriota e PSD, todos com três nomes com a votação necessária. Já PT, PSC, Cidadania e PV alcançaram dois nomes com quociente eleitoral partidário e PDT, MDB, PSL, PTC, PSB e Avante alcançaram um nome com a votação mínima cada um, enquanto Rede e PSOL não atingiram o número mínimo para distribuição de vagas por sobras ou quebras. O PSB, apesar de ter tido um candidato com 10% do quociente eleitoral partidário e do recorde de sua candidata Marli do Esporte, não alcançou como partido o quociente eleitoral para ter direito a uma vaga.

 

 

Bancada feminina fica reduzida à metade para a próxima legislatura

 

A bancada feminina na Câmara de Toledo, que teve recorde em sua composição na XV Legislatura, com quatro vereadoras, vai ser reduzida a duas vereadoras no período 2021-24. Isto porque apenas as vereadoras Marly Zanete – 783 votos - e Olinda Fiorentin – 1.000 votos -, conseguiram a reeleição e nenhuma das novas candidatas a vereadoras conseguiu eleição, em que pese o candidato mais votado ter sido a vereadora Marli do Esporte e na majoritária três das sete chapas serem encabeçadas por mulheres – Simone Sponholz pelo PTC, Jaqueline Machado pelo PT e Claudia Malmann como candidata do PSOL -, além da arqueóloga Amanda Lopes como vice do advogado Albino Corazza Neto pelo PDT e da professora Joana Darc como candidata a vice-prefeita na chapa encabeçada por Jaqueline.

O partido da candidata mais votada a vereador, o PSB, não atingiu o número de votos do quociente eleitoral – 3.695 votos - para ter direito a uma vaga. A sigla chegou a 2.557 votos, ficando atrás do PT, que com 2.958 votos conseguiu uma vaga na “quebra” - a sobra que não atinge 1 na divisão dos votos dos partidos pelo quociente eleitoral para ver o número de cadeiras que a sigla ocupará. Os que alcançam as maiores quebras podem conseguir entrar nas vagas que sobram após preencher as vagas conquistadas diretamente.

Das atuais vereadoras, Marli do Esporte alcançou 1.621 votos, enquanto Janice Salvador atingiu 647 votos, ficando na primeira suplência do DEM, que elegeu Gabriel Baierle.

 

 

Eleição ao Poder Executivo

O candidato a prefeito Beto Lunitti, do MDB, foi eleito, no domingo (15), prefeito de Toledo para os próximos quatro anos – 1° de janeiro de 2021 a 31 de dezembro de 2024. Beto Lunitti, da coligação Toledo do Jeito que a Gente Quer (MDB / PSB / Rede / Avante/Cidadania), teve 23.808 votos, 33,72% do total, ao lado de seu vice-prefeito, Ademar Dorfschmidt.

Lucio de Marchi, da coligação Trabalho e Inovação por Toledo (PP/PSD / DEM / Patriotas / PV / PSDC / Solidariedade), ficou em segundo lugar com 29,87% (21.087 votos), tendo ao lado como vice-prefeito Marcos Zanetti. Os demais candidatos foram Tita Furlan (Podemos) e seu vice Beto Inácio, da coligação Por Amor à Nossa Terra e Nossa Gente(Podemos / Republicanos / PL / PSC / PSL ), com 11.222 votos (15,89%), em quarto lugar Simone Sponholz (PTC) com o vice Fábio Kukowitsch na coligação Aliança por Toledo( PTC / PTB), com 10.249 votos (14,52%), vindo depois a chapa do PT Uma Estrela Vai Brilhar, encabeçada por Jaqueline Machado e sua vice Joana Darc, com 2.220 votos (3,14%). Em sexto ficou o PDT de Albino Corazza e sua vice Amanda Lopes da Silva, com 1.508 votos (2,14%) e em sétimo a coligação Toledo Merece Mais (PSOL / PC do B), encabeçada por Cláudia Mallmann e seu candidato a vice-prefeito Cosmes Francisco, com 509 votos (0,72% do total).

Os eleitos

Na carreira política, Beto foi vereador de Toledo (1997-2000) e foi candidato a prefeito três vezes. Ele foi prefeito da cidade entre 2012 e 2016.

Beto Lunitti tem 56 anos, é casado, tem ensino superior completo e declara ao TSE a ocupação de corretor de imóveis, seguros, títulos e valores, com um patrimônio declarado de R$932.083,18.

O vice é o vereador Ademar Dorfschmidt, do Cidadania, que tem 47 anos.

 

 

 

Vereadores - Genivaldo Jesus (Cidadania) - 1.289 votos
Professor Oseias Soares (PP) - 1.286
Genivaldo Paes (O Gabriel) (PL) - 1.189 votos
Valtencir Careca (PP) - 1.178 votos
Chumbinho Silva (PP) - 1.133 votos
Jozimar Polasso (PP) - 1.109 votos
Bozó da Borracharia (PSC) - 1.097 votos
Gabriel Baierle (DEM) - 1.053 votos
Marcelo Marques (Patriota) - 1.040 votos
Valdir Rosseto (PL) - 1.039 votos
Olinda Fiorentin (PSD) - 1.000 votos
Elton Welter (PT) - 952 votos
Pedro Varela (PP) - 909 votos
Geraldo Weisheimer (PL) 822 votos
Marly Zanete (PV) - 783 votos
Bisognin (MDB) - 735 votos
Gilson Francisco (Cidadania) - 659 votos
Dudu Barbosa (Republicanos) - 645 votos
Beto Scain (MDB) - 621 votos

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